segunda-feira, setembro 15, 2003

E o prémio vai para...

Hoje apetece-me estar na moda, vou dar uns prémios, cativar uns amigos, mandar uns bitaites, dar ares de crítico, com a grande novidade de apresentar os 2ºs classificados em cada categoria!!!

Para levar a sério mesmo só um do prémios. Fácil perceber qual é. Ora leiam.

O blog mais atento e mais dinâmico vai para a dupla Bloguítica Nacional e Internacional - quando penso qualificá-lo de frenético logo surge um post equilibrado e certeiro, portanto, incompatível com o puro frenesim.
2º lugar para O Bisturi.

O blog com a melhor crónica lida nos últimos 5 minutos vai para O Carimbo Aproveito para endereçar-lhe as melhoras para esse galo na testa e eventuais queimaduras nas mãos. Da primeira enfermidade padeço amiude muito por culpa das farinhas lácteas quanto à segunda (queimadura numa cerca eléctrificada) ainda estou para experimentar.
2º lugar para... Não atribuído pois esgotei os 5 minutos a ler a crónica do Carimbo.

Prémio “mas quem é que anda a consultar o Adufe através dos links do Aviz” vai para quem provar fazê-lo!

Prémio e-mail mais simpático recebido na caixa de correio vai para... isso queriam vocês saber. Já bastou a divulgação do “Direito de resposta” sobre a sociedade Ponto Verde. Para considerações sobre correspondências consultar o Dicionário do Diabo e o Abrupto na vertente Hate Mail.

Prémio o que fazer com hate mail para a Bomba Inteligente.
2º prémio para a Bomba Inteligente.

Prémio blog com mais medo do dentista para Blog de Esquerda.
2º Prémio para a Bomba Inteligente.

Prémio melhor homenagem à memória de Vitor Damas...consultem o post das lágrimas que deixei aqui ontem. Cito apenas alguns dos vencedores. Fora da blogoesfera a melhor homenagem fê-la o Ricardo ontem com uma defesa à Damas...

Prémio o melhor blog a dar prémios para ... O governo Civil de Lisboa proibiria a atribuição deste prémio por evidente incompatibilidade dos promotores do concurso com a matéria em apreço.

Prémio Dom Sebastião vai para... o Aviz
2º lugar para o EPC
3º lugar para o PRD
4º lugar para o MST
5º lugar para o JMF
6º lugar para o JBC
7º lugar para... (colocar neste ponto do texto uma estrondosa honomatopeia em jeito de goooong)

Quem se atrever a agradecer o prémio arrisca-se a levar com outro!

Mais prémios quando me der na veneta.

Partido Socialista: E não é que veneta vem no corrector ortográfico do processador de texto??!
Reza assim a lista de sinónimos:
Veneta – balda, capricho, caturrice, furor, loucura, mania, pancada, sécia ...

Meus lindos, são todos muito caturras, eu sei que devo estar com a pancada mas hão-de-me perdoar esta loucura. Foi um capricho que me levou à balda. E já diz a minha Tia Bilac “Antes uma sécia que um seca”.

Feqium bem. Até ahmanã!
Big Science!

Os despenseiros da palavra sugerem um teste de humanidade patrocinado pela Isto É. Quão humanos somos nós? Curiosa pergunta... Depois daquele outro teste do post anterior, ainda mais oportuna é. Mais umas ideias preconcebidas que caiem.

Os que esperam por novidades do pastor da beira baixa também podem se entreter fazendo o teste aqui.
Eu registei uns míseros 0,74... Sou pouco humano.. É a minha costela de economista!

E já agora...espreitem os Despenseiros da Palavra. Um blogue brasileiro que por acaso encontrou o Adufe e que estou a gostar de acompanhar. Um "cheirinho":

QUANDO O BREGA VIRA CHIQUE

Você Não Me Ensinou a Te Esquecer, uma das músicas-tema do filme Lisbela e o Prisioneiro, na voz de Caetano Veloso, está agradando a gregos e troianos. Essa lírica canção faz parte da discografia de Fernando Mendes, da época que vovó era criança. O detalhe é que era considerado brega; agora, é pop brega. Não vou entrar na questão de ser ou não ser brega, deixo isso para os filósofos. O que chamou a minha atenção foi esse trecho da letra da música:

“Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro”

O que nos leva à semelhança com esse outro:

“Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar”
(Camões)

Lindo!
Que tal ouvir?

Sgeue e-mial endaivo plea Ana:

"De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, nao ipomtra a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etaso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo.

O rseto pdoe ser uma ttaol csãofnuo que vcoe pdoe anida ler sem gnderas obrlmea. Itso é poqrue nós nao lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Cosiruo não?
"
Dvereas!!
Direito de resposta: Sociedade Ponto Verde (act.)

Não há nada como estar sempre disposto a aprender... No passado dia 9 de Setembro publiquei aqui o post Reciclagem II onde expunha alguma ideias pessoais a pretexto de duas notícias publicadas no Jornal de Negócios relativas à reciclagem em Portugal. Notícias onde eram apresentados excertos de uma entrevista a Henrique Agostinho responsável pela área de comunicação da Sociedade Ponto Verde.
A blogo-esfera (e a internet) tem destas coisas e o Adufe recebeu há poucos dias um e-mail de Henrique Agostinho onde este, a título pessoal, ofereceu algumas impressões e alguma informação útil para melhor enquadrar o problema. Mais do que entrar em debate e argumentar em favor de algumas das sugestões que aqui deixei julgo apropriado, neste momento, deixar aqui o testemunho que me enviaram. Sem tempo para uma edição cuidada deixo-vos a missiva na integra com alguns sublinhados meus.

"Caro Rui.

Muito Obrigado pela sua preocupação com a Sociedade Ponto Verde e a Reciclagem. Creio que o sucesso da reciclagem passa muito pelo WOM (pelo que uns dizem aos outros) e respectivo aumento da mobilização.

Vou fazer vários comentários, creio que tenho essa legitimidade uma vez que sou abundantemente citado, isto apesar de os comentarios serem puramente pessoais:

1) 62% Não separam. Não separam "nada", zero. Porque os outros 38% alguns separam "alguma coisa" e mesmo muito poucos separam "mesmo". Porquê?

Há as razões razoáveis - Porque o sistema é novo, porque os hábitos custam a adquirir, porque algumas pessoas não têm de facto a vida facilitada para separar. Há as outras razões - Porque temos uma altíssima taxa de acidentes rodoviários e porque temos uma enormíssima fuga fiscal. Porque os Portugueses são resistentes às ideia de civismo.

Pesando umas e outras razões, vemos que, apesar de ser recente, os portugueses assistiram a um imenso investimento em ecopontos, centrais de triagem, aterros, etc. Que os portugueses dispõem de mais ecopontos que Multibancos. Que quase toda a população é servida por um muito bom sistema. Mas como a participação é pequena, só posso concluir que a "culpa" o atraso cultural das pessoas que não separam, as tais "outras razões".

2) O financiamento. E o eventual aumento do Valor Ponto Verde.

Infelizmente a notícia saiu muito pouco clara. O que eu apontei foi algo em que a matemática não deixa margens para dúvidas:

- Todas as embalagens colocadas no mercado pagam um valor por quilograma X.

- As embalagens recolhidas para reciclagem recebem 4X

Como isto é possivel, é porque em Portugal se recolhia para reciclagem menos de 25% das embalagens que pagam Ponto Verde. 25% de 4X = X

Acontece que no ano de 2005 vamos ultrapassar os 25% de reciclagem a caminho dos 50% que estão estabelecidos para 2012. Ora como 50% de 4X =2X (custos) e a SPV apenas recebe X, a equação não é viavel. Logo, daqui para a frente teremos de evoluir para uma situação em que:

- Todas as embalagens colocadas no mercado pagarão um valor por quilograma Y.

- As embalagens recolhidas para reciclagem receberão 2Y.

O que ninguém sabe é se 2Y =, < ou > 4X

Mas até 2012 Y acabará por ser > X.

Ora isto é matemática e entendamos é diferente do que estava publicado. A recolha selectiva tem de ser feita, essa recolha tem custos, os embaladores assumiram essa responsabilidade. Está arrumado.

O que não está arrumado é a questão do "prémio aos pais". Concordo pagar aos pais pela separação é uma solução interessante. Tão interessante que se pratica no Brasil com imenso sucesso. No Brasil porque há milhões de favelados que vivem de separar o lixo das lixeiras em "regime de free-lance". Para o bem e para o mal, a nossa sociedade portuguesa não toleraria uma solução tão pobre. E o valor unitário que tem o lixo separado é ridiculo, são precisos muitos milhares de pessoas a reunir embalagens para se obter um qualquer valor relevante. E por isso eu digo que é um "negócio de escala", quer dizer que só com grandes quantidades de "lixo" separado se obtém algum valor relevante, que dê para contratar
pessoas e pagar ordenados.


E ainda há a questão do lucro. O "negócio" da SPV não dá lucro porque a SPV não quer. A SPV é uma empresa sem fins lucrativos e todo o dinheiro que tem reutiliza na reciclagem. Por isso é que não dá lucro e por isso é que ninguém quer concorrer com uma empresa sem fins lucrativos! Óbvio não é?

Assim resumo a questão do financiamento.

3) Os baldes, os sacos, etc. - Se nós (SPV) não ajudar-mos as pessoas a separar quem ajudará! Ora bem, se pedimos às pessoas que separem, melhor será que lhes dê-mos acesso aos equipamentos e conhecimentos necessários para o fazer. Idealmente gostava de oferecer os tais baldes e sacos, mas como isso se revelaria incomportável e pouco eficaz, apostamos em vendê-los ao menor preço. Sem margens. Com escala. Podemos reduzir o preço de prateleira para um terço. Podemos garantir que existem e são funcionais. Podemos ajudar. E é isso que vamos fazer. Com baldes, com sacos e com prémios ás escolas que mobilizarem os alunos.

Que outra forma poderia haver? Seria legitimo da parte da SPV não fazer todo este esforço de simplificação da vida das pessoas?

4) As embalagens retornáveis - Não sou especialista, mas creio que não é tão simples quanto isso. Uma embalagen retornável tem uma duração de 5 ou 6 voltas. Depois também tem de ser reciclada. Uma embalagem retornável é muito mais "sólida" logo exige muito mais material, muitas vezes 5 ou 6 vezes mais material. O ciclo de ida e volta das embalagens retornáveis é muito mais caro e consome bem mais energia que o das não-retornáveis recicladas. E por ultimo quanto "vasilhame com depósito" ia direitinho para o lixo, mesmo nos tempos de maior aperto de cinto em Portugal?

Ora, para acomodar os produtos que consumimos, vamos usar embalagens e quer sejam usadas uma ou 5 vezes, o importante é que sejam recicladas no fim da sua vida. Ou não é?

Assim, aconselho distanciamento quando se inventar soluções para o problema. Nem sempre o que parece é, e por vezes o pior sai melhor.
Se calhar as embalagens não-reutilizáveis tem um custo ambiental menor do que reutilizáveis, e se calhar a incineração é ambientalmente mais saudável do que a deposição em aterro, ou reciclagem de alguns materiais. Mas isso, ninguém sabe, é uma linha ténue e já me dou por contente por se "estar a fazer qualquer coisa

Bem, espero ter esclarecido alguns conceitos, nomeadamente:

- Porque é que há tantos portugueses que não separam e o tamanho do problema

- Porque é o financiamento é como é e como não vale a pena inventar a roda

- Como é que as iniciativas anunciadas irão ajudar

- E que os debates entre não-retornáveis e retornáveis são estéreis.

Continue interessado e a interessar pela separação, que esse é decerto um bom caminho.
"

Ainda uma nota sobre Curitiba, de Henrique Agostinho, que resultou de uma troca de mails posterior:

"Curitiba é um exemplo de urbanismo/desenvolvimento social irrepreensível. Os sitemas de transporte públicos, a reconversão do comércio tradicional e o sistema de recolha do lixo são extraordinários. No entanto a própria Curitiba começa a ser vítima do seu sucesso e do facto das suas soluções serem específicas para o nível de vida do Brasil. Por exemplo - Mesmo apesar do "Ligeirinho" cada vez mais pessoas tem carro privado e o transito ameaça ficar igual ao das outras metrópoles da américa latina. O nível de vida sobe e as pessoas compram carros, parece ser inevitável.
Da mesma forma a recolha/reciclagem contra vouchers de comida só funciona quando as pessoas são mesmo pobres. Por exemplo, numa conta muuuito simplificada, todo o lixo de uma pessoa normal em Portugal entregue para reciclagem vale aí uns 10E/ano! Em Portugal quem é que consideraria relevante ter todo o trabalho que implica separar por apenas 10E/ano!
Ainda assim, Curitiba continua a ser a cidade mais bem gerida do mundo (e isto não sou eu que digo).
"

Nota adicional:
Sociedade Ponto Verde com novo Director de Comunicação

Henrique Agostinho é, desde o início de Julho, o novo responsável pela área de comunicação da Sociedade Ponto Verde.
Anteriormente Director de Marketing e Vendas na Oniway, entrou para esta empresa de telecomunicações em 2001 para assumir o cargo de Director de Marketing e Comunicação. A sua experiência na área das telecomunicações começou quando ingressou os quadros da Optimus, onde desempenhou o cargo de Director de Marketing.

A sua actividade profissional teve início na Procter & Gamble, em 1995. Depois de desempenhar funções como Assistant Brand Manager, rumou a Madrid e a Londres para assumir o cargo de Brand Manager.

Henrique Agostinho tem 30 anos e é Licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico.

A reciclagem é agora o seu novo desafio.

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domingo, setembro 14, 2003

Queremos

P Para o José Fragoso
A O dia em que eu fui ver a volta passar
Z Gostava de estar em Alvalade
! Justiça
Justiça

É natural a oposição quando o outro de nós discorda (ou deveria ser... às vezes ouve-se demasiado silêncio).
De qualquer forma, seja mais ou menos fácil entrar numa discussão, há algo que tenho como mais dificil.
Às vezes o mais difícil é dizer o que se segue, com sinceridade, sem querer marcar pontos em estranhos e torpes "campeonatos".
O pretexto é o post VOZ PRESA, VOZ SOLTA:

Caro JPP,
É fundamental que vozes como a sua não se remetam ao silêncio perante as barbaridades que desmascarou nas palavras do lider do CDS-PP. É pena que quer no PSD, quer no PS, quando se levantam questões como estas, onde se pode atingir alguma incomodidade institucional, tantos se remetam às suas tocas, deixando a asneira sem oposição activa.

Este tipo de atitudes faz mais pela democracia do que qualquer reforma do sistema político, mas isto é só o que eu penso.

Outra atitude não seria de esperar de si. Essa justiça me merece após todos estes anos em que o tenho ouvido no Flashback. Discordando quase sempre com o que diz, tenho encontrado quase sempre a defesa de uma matriz que tem de ser transversal a todas as correntes políticas que defendem o modelo de civilização em que vivemos.

A honestidade intelectual na questão mercado de trabalho - imigração julgo ser um desses valores que já todos deviamos ter apreendido, atendendo a tantas lições da história... Mas nunca seremos perfeitos.

Sublinho também o meu apreço pelo confronto de ideias que desta vez acarinhou no seu blogue quanto à questão da discussão editorial da capa do Público.
Gostava de estar em Alvalade

Para te aplaudir pela primeira vez, Damas.
Hoje digo que sou do Sporting porque encontrei beleza num golpe de rins.
O dia em que eu fui ver a volta passar

- em seis pequenos pontos -


I

Na noite anterior o meteorologista ameaçara com um dia muito quente e, na impossibilidade de se evitarem as obrigações rurais anuais, em torno de algumas courelas de terra, a manhã de mais um dia de férias na província foi destinada ao trabalho braçal em família.
As tarefas concluiram-se mais cedo do que o previsto e com isso estavam reunidas todas as condições para intensificar a minha campanha propagandística.

Ao regressarmos a casa era ainda demasiado cedo para acender o lume e preparar brasas para o churasco e, não dando tempo às mentes mais laboriosas para magicarem no que fazer na horita que sobrava, liguei o rádio bem alto a tempo de ouvir as crónicas e reportagens sobre mais uma etapa da volta a Portugal em bicicleta que se iniciara há escassos minutos: «ligeiramente atrasada face ao previsto pela organização», segundo dizia o jornalista.
Assim que o percurso da etapa ecou do rádio pelo quintal e foi referida a passagem num ponto quente situado na aldeia vizinha mais próxima, iniciei a derradeira etapa do meu plano que visava reunir uma mão cheia de familiares à beira da estrada nacional apreciando a passagem da caravana garrida.

Para minha surpresa, cinco minutos depois de lançar o convite já embraiava a terceira bem para lá do cemitério, um dos vértices do perímetro da aldeia. O carro levava pouco mais de meia carga mas ainda assim eu ia espantado pelo repentino sincronismo familiar transgeracional ali materializado.

II

Ia eu pensando nos porquês de nunca ter tido a ideia de espreitar o espectáculo da volta ao vivo (falha imperdoável do meu portuguesismo atendendo a que esta passara várias vezes a escassas centenas de metros da minha casa no concelho de Sintra), quando surgiram, a seguir a uma lomba acentuada, dois ciclistas pedalando, lado a lado, em marcha de caracol e ocupando descontraidamente a estreita faixa de alcatrão da estrada semi-municipal limitada a veículos de 10 toneladas.
Após a brusca travagem, note-se que circulávamos na mesma direcção, e de uma valente buzinadela, estive tentado a lembrar a limitação de peso imposta pela sinalização vertical naquela via ao soberbamente anafado ciclista da dupla bucha e estica, mas em boa hora não o fiz contribuindo para essa silênciosa revolução cultural que um dia há-de inundar as estradas do país de civismo e boas maneiras.

«O mais gordo era a cara chapada de fulano tal» disse a minha mãe após aquele breve encontro. Foi quanto bastou para os passageiros, conterrâneos, iniciarem o debate sobre as venturas e desventuras da aldeia e dos seus imigrantes. Quando chegámos ao cruzamento com a estrada nacional da Volta, entre o Vale da Senhora da Póvoa e a Meimoa, estava já estabelecido de quem eram netos e filhos os jovens ciclistas, portugueses de segunda geração, nascidos na França muito depois de qualquer um dos polemistas que me acompanhavam terem eles próprios abandonado a aldeia e perdido o contacto com a criação dos filhos da terra.

A exactidão da genealogia familiar que por mero acaso viria a confirmar dias depois fez-me crer ainda mais na importância dos genes e da sua herança escarrapachada nos nossas irrepetíveis faces.

III

A estrada nacional 233 tem um pavimento relativamente recente que vem resistindo quer ao intenso tráfego internacional de pesados - via Vilar Formoso - que a percorrem durante todo o ano, quer ao enxame veraneante e natalício de ligeiros oriundos do centro da Europa e de mais modestas migrações de âmbito nacional.
Entre o Sabugal e a Meimoa - a aldeia do ponto quente - enche-se de curvas e contracurvas cirandando entre meias encostas, pequenos planaltos e vales, quase sempre rodeada de arvoredo. Da Meimoa em diante, até Penamacor, a condução é mais suave surgindo grandes rectas planas, a espaços ladeadas por bem ordenadas fileiras de magestosos plátanos e eucaliptos. Apenas se puxa um pouco pela viatura ao circundar a vila na novíssima estrada de circunvalação.
Com a nova estrada, subir até à vila, tarefa sujeita a curvas e contracurvas que atingiram em tempos a fama das de Nisa, Estrela, Sintra, São Pedro do Sul ou Gerês, é hoje bem menos desafiante e perigoso. Para o ciclista, sobra o declive e o empedrado que teima em atapetar o centro histórico da vila raiana.
Em suma, aquele troço servia apenas para moer mais um pouco os ciclistas, juntar uns trocados e tomar balanço para chegar ao Fundão, depois à Covilhã e à Torre lá mais para o fim da tarde.

IV

Arranjar poiso seguro para parar o carro sem infringir regras de trânsito e garantir ao mesmo tempo um espaço de contacto visual com a estrada e aí aguardar a caravana, de preferência à fresca, não se adivinhava tarefa fácil, mas, mais uma vez, o meu pessimismo foi a enterrar bem depressa nesse dia.

Virámos no cruzamento em direcção à Meimoa subindo uma das meias encostas escavadas pela estrada e depressa descobrimos uma eventual escapatória de curva em sítio que cumpria de forma quase perfeita os requisitos acima enunciados. Note-se apenas que a nossa descoberta merece aspas pois o poiso estava já parcialmente ocupado por outro carro.

Dentro do carro vizinho - talvez montado quando os Trovante nos apresentavam A Menina das Sete Saias - estava um rapaz de vinte e muitos, trinta e poucos.
Saímos da fornalha do carro para a sombra dos enormes eucaliptos e trocámos a tradicional saudação com o tal rapaz. Bastou o “Bom Dia” para lhe apanhar a pronúncia beirã, bastante mais acentuada que a minha e um pouco mais do que a dos meus pais.
Pouco depois de nos estabelecermos, o rapaz saiu do carro e começou uma série de indiscutíveis sinais de ansiedade andando para trás e para diante sobre as folhas, cascas e toros de eucalipto ou olhando um pontinho entre as àrvores, lá para as bandas da aldeia do Vale, a cerca de 3 km de nós, sempre a descer.
Após uns instantes de maior frenesim, acalmou, aproximou-se do nosso carro e pareceu-me interessado em ouvir o que ia dizendo o auto-rádio. Por esta altura era já mais que evidente ao que nós iamos: comentáramos a classificação da Volta, os estrangeiros, o encantamento popular que originava este desporto em nós (pelos vistos!) e em tantos outros, as suas velhas glórias, etc. No entanto, o “Bom Dia” permanecia a única conversa feita com o rapaz.

Aumentei o volume do rádio para ouvir o reporter motorizado da TSF; já haviam passado o Sabugal e aproximavam-se de Santo Estevão, faltavam, portanto, cerca de 10 Km para chegarem até nós. O rapaz olhou o relógio e retomou gestos bruscos: para trás e para diante, abrindo a porta do carro e sentando-se por breves instantes, saltando do carro para espreitar outra vez por entre as árvores...
Pelo nosso lado íamos despejando a garrafa de litro e meio de água, enquanto continuávamos entretidos a deitar conversa fora.
O primeiro sinal da volta não tardou, o inconfundível som do helicóptero soou para as bandas do Vale e pela primeira vez percebi para onde olhava o rapaz: por entre os eucaliptos via-se o saída do Vale da Senhora da Póvoa sendo possível distinguir carros e camiões a passarem lá longe por entre uma breve clareira de vegetação. Mais uns minutos e a volta estaria a passar ao nosso lado, comentei eu em voz alta - não ouve reacções.
Passou sobre nós o helicóptero da SIC e pouco depois surgiram os primeiros camiões: o enorme contentor que servia de palco no final das etapas, um camião de exteriores da SIC e vários carros decorados com autocolantes de orgãos de comunicação social: Jornal do Fundão, Diário de Notícias, RFM, TSF, algumas rádios locais, etc. A seguir, passaram sem grande estardalhaço algumas motos da polícia que interromperam o trânsito em sentido oposto ao da Volta, depois o silêncio regressou.

Passaram-se mais alguns minutos antes que voltasse a surgir animação na estrada, desta vez protagonizada por ciclistas já meus conhecidos: o bucha e o estica pedalavam rouxos de esforço movendo-se muito lentamente lá no início da subida que os levava até à nossa curva. Após um piscar de olhos, já os víamos a passear, ao lado das máquinas, investindo contra a subida com a cabeça quase ao nível dos braços e do traseiro, de mãos no selim.
Chegaram até nós e esticaram-se no chão exaustos. Assim ficaram por alguns minutos condenados a não beneficiarem da nossa hospitalidade, pois então havíamos já esgotado o suprimento de água que tanto proveito lhes faria.
Nisto, como aparições alienígenas, surgiram perante o grupo de mirones de beira de estrada três vultos vermelhos, bem colados ao asfalto, anunciados por um gravíssimo matraquear mecânico: «Ferraris! Uau! Trois!» berrou, com uma energia que não se lhe adivinhava, o mais rouxo dos ciclistas.
Por um dia, Penamacor entra no topo da lista dos concelhos com maior número de Ferraris per capita do país, comentei no meu economês, ao que o rapaz de poucas falas me respondeu com um sonoro «Já lá vêm!».

V

Menos “grave”, mas igualmente cativador de atenções, surgiu outro matraquear mecânico, desta feita oriundo de uma soberba motorizada do tamanho de um pequeno cavalo. Não fosse a minha pouca paixão por estes assuntos e escreveria com detalhe ano, potência, modelo e demais pregaminhos do exemplar, mas o melhor que posso fazer para o enaltecer já o fiz, resta-me apenas descrever o que se seguiu e que motiva a recordação da máquina.
A cavalo ia um empertigadíssimo polícia. Estão a ver aqueles motões que acompanharam o presidente Kennedy na sua última visita ao Texas, empoleirados por polícias de capacete redondo, branco e envergando uns enormes óculos de sol que lhes tapavam metade da cara? A cena era parecida, com a nuance de que o que ali víamos era uma realidade em câmara lenta; parecia impossível como o condutor mantinha a moto a rolar, numa subida e a uma velocidade tão reduzida.
«Não hão-de ver mais motas como aquela na caravana» alvitrou o rapaz de poucas falas continuando, seguro de ter retidos as atenções: «Aquele indivíduo é polícia na cidade da Guarda e a mota é o única daquele modelo ao activo no distrito. No país! Fica o ano inteiro dentro de portas e só sai para a rua quando a Volta passa pela Guarda.» E continuou entusiamado: « Uma semana antes da Volta lá chegar, aquele indivíduo começa a pavonear-se pela cidade a cavalo no motarrão durante todo o dia. Não há ninguém na Guarda que não conheça a peça! Hoje vai aí nas suas sete quintas apresentando a aberração pelas serras a fora.».
Não cheguei a confirmar a autenticidade desta história quando algum tempo depois passei pela Guarda, mas o conto daquele rapaz tem qualquer coisa de insólito que abriu espaço na minha memória para reforçar a lembrança do dia em que fui ver a volta pela primeira vez.

VI

O poletão passou aos bochechos, berrámos todos um bocado como é de bom tom nestas coisas e pronto.
Logo a seguir ao carro vassoura o rapaz arrancou em elevadas rotações “esticando” o velho carro pelo monte acima, sem trocar connosco o tradicional, «Então, Bom Dia!».
Fiquei sem saber porquê ou por quem tanto sofria este estranho rapaz. Um estranho rapaz que tão depressa parecia intimidado e desconfortável com a nossa presença quanto arranjava à vontade para destilar um altivo sarcásmo sobre as respeitáveis forças da ordem a pretexto de uma pequena estória da pequena história quotidiana da cidade da Guarda. Mas todos estes considerandos resultavam se calhar dos meus olhos e a ideia de começar a pensar em ir fazer o almoço pareceu-me tão oportuna quanto aos demais passageiros pelo que também nós nos pusemos em ar de marcha da servil escapatória. Contudo, ainda antes da partida, testemunhámos e de alguma forma protagonizamos um pequeno drama.

Perante o cenário de repetir a façanha de cinco quilómetros a pedalar entre altos e baixos de regresso à aldeia, uma algaraviada afrancesada irrompeu entre os dois ciclistas luso-gauleses, promovida essencialmente pelo ainda mal recuperado baixote gordinho que insistia com o irmão mais velho para ir para a aldeia mais próxima - dois quilómetros e quase sempre a descer - de onde pediriam socorro à familia! Julgo ter percebido a expressão “no tractor da tia” por entre as resposta às invectivas cépticas do irmão mais velho.

Da contenda resultou que o gordo baixinho ficou especado com ar de grande desespero assistindo ao afastar do irmão ladeira a baixo a cavalo no velocípede, em direcção ao cruzamento que o levaria para a estrada semi-agrícola calcorreada há pouco.
Já com o motor a trabalhar, frustrámos, mais uma vez, uma tentativa hospitaleira de socorrer o atleta. Condoídos oferecemos-lhe boleia que ele aceitou de pronto... Mas havia a bicicleta, porventura, a maldita bicicleta...
O carro não era um dedal, mas, sem suportes apropriados no tejadilho, revelou-se impossível transportar a máquina inteira na mala do carro. O rapaz conformou-se e agradeceu descendo a passo a ladeira, pingando suor e escondendo as lágrimas antes que o irmão, que o esperava lá em baixo, as pudesse destrinçar...
A meio da rampa quando passámos por ele, simulou trepar para o selim, mas não passou disso. «Só lhe faz é bem. Para abater as banhas! Um rapaz tão novo...» disse um dos meus passageiros longe já dos ouvidos do ciclista.

No dia seguinte vi de novo o luso-francês mais anafado, ainda em prova, sorridente, pedalando pela terra batida de uma das linhas arquitectadas pela esquadria real do emparcelamento imaginário daquela pontinha da Cova da Beira. Ofereceu-me um tímido «Bom Dia» em bom português e seguiu viagem conduzindo com uma mão e levando com a outra à boca uma suculenta maçã, aproximando-se calmamente da frescura da ribeira.

(prot-blog com 5 anos)
Ping para aqui.

Para o José Fragoso e para o Luis Proença da direcção editorial da TSF seguiram estas palavras:

Viva!
A primeira vez que passei palavra sobre a IF (Íntima Fracção) andava eu na faculdade (há 8 anos?), escrevendo no boletim da Associação de Estudantes e logo aí me cruzei com alguns ouvintes que quiseram partilhar a cumplicidade, o segredo, o encantamento.

Pela minha parte prefiro ouvir "num quarto escondido e perdido no meio da cidade", às escuras, deitado na cama, de olhos bem abertos. Como hoje, daqui a bocadinho, depois da uma.

Tudo acaba, tudo recomeça. Espero que o Francisco Amaral continue a ter espaço na rádio portuguesa, comigo a poder ouvi-lo, já agora. Espero que fique na TSF mas se por lá não o quiserem, estou disposto a ir atrás! Já não seria a primeira vez ("Sexo dos Anjos" de Julio Machado Vaz e Aurélio Gomes).

Mas se isso acontecer é pena...
Durante muito tempo desarmei críticos da TSF ("É só notícias e anúncios. Uma seca!") com exemplos como a Íntima Fracção. Sei de alguns que ficaram ouvintes. Se houver quem tenha bons ouvidos na direcção, se não estiver já tudo decidido, pode ser que tudo corra pelo melhor.

Entretanto caso não sejam assíduos ouvintes sei que hão-de receber algumas cassetes gravadas por ouvintes dedicados que querem assegurar este cantinho na madrugada de Sábado para Domingo, aqui (aí) na TSF.
Pela minha parte deixo-vos só estas palavras.
Fiquem bem.
Obrigado por me terem lido.
Rui MC Branco

P.S.: Votos de bom trabalho para o resto do projecto. Suplantar a herança não será nada fácil mas força! (Não se esqueçam de quem já vos ouve na voragem de quererem ser ouvidos).

sábado, setembro 13, 2003

Uma questão de semântica

Numa altura em que pomos "alegadamentes" atrás e à frente de tudo e em que confundimos a árvore pelo todo para magnificar a ideia de escândalo, noto que nesta notícia da SIC os caldos de galinha iniciais Alunos da Casa Pia em eventos organizados por médicos, artistas e oficiais da Marinha depressa caiem na tal generalização injusta A rede de pedofilia da Casa Pia teve ligações à Marinha e à tauromaquia portuguesa e esteve activa no interior da Expo 98, de acordo com o semanário Expresso.

“Teve, alegadamente, ligações a médicos, artistas e oficiais da Marinha" parece-me bem...

“Teve, alegadamente, ligações à Marinha e à tauromaquia portuguesa e esteve activa no interior da Expo 98" já ultrapassou o risco. A menos que se queira dizer que:
- a rede de pedofilia enquanto organização teve ligações a essas outras organizações criminosas;
- essas outras instituições que enquanto tal agiram em conluio com a rede;
- uma instituição seja sempre definida pelos piores elementos que a compõem.
Será que só a mim me incomodam este detalhes de semântica?

P.S.: A despropósito (ou talvez não), a demissão do presidente do IEP pode justificar-se por corroborar um inquérito infeliz e inconclusivo mas não se pode justificar para pôr uma pedra sobre o assunto, para que não se apurem responsabilidades materiais sobre o que se passou com a ponte que caiu no IC 19. O erro não foi do presidente, seguramente, assim como não foi do Ministro, ou de Jorge Coelho numa outra história de um passado similar. Julgo que dizendo isto este post fica mais coerente e, de facto, este post scriptum não vem mesmo nada a despropósito.
A definição de responsabilidades, dos seus limites, não parece estar ao alcance do entendimento de muita gente (pelo menos de alguns políticos, de alguns jornalistas...). Pena que essas falhas intelectuais sejam tão cirurgicamente selectivas e sucessivas.
Vem aí asneira...

A SIC está anunciar o Jornal da Noite que se avizinha com uma asneira pegada.
Nem preciso saber dos (alegados) factos; há um erro de enquadramento, tem de haver.
Diz-se que a Marinha, a Expo-98 e não sei que outras organizações estão envolvidas no caso de abuso sexual de menores da Casa Pia.

Não falam de militares da armada ou funcionários da parque-expo. Preparam a promoção à notícia assim, lançando a suspeita sobre as instituições como um todo. Pondo-nos na cabeça que temos instituições que abusam sexualmente de menores.

Isto não é fazer jornalismo, é puro terrorismo. Péssimo trabalho senhores jornalistas da SIC. Onde fica o direito ao bom nome de todos os que trabalham na RTP, no PS, na Armada, na Parque-expo e (quem sabe?) na SIC, que nunca tiveram nada a ver com abuso sexual de menores?
O português é uma língua riquíssima. Façam bom uso dele. Perdoem-me a má ortografia, um ou outro erro de concordância como vos perdo-o a vós, mas ninguém perdoa a negligência grosseira em ofício nenhum.
Muitos a tentar vislumbrar os contornos da palavra ternura .
Meu Querido Diário


Benquerença, 2 de Agosto de 1997, férias de Verão em casa dos avós.

Parecia ser uma tarde normal de Verão, uma tarde de calma, de uma calma de derreter os ossos como as anteriores, quando de repente... Bom, de repente viu-se um filme repetido: partiu-se o céu ao meio e caiu-nos uma descarga de água e de electricidade em cima.
Um repâmpago-trovão de cegar os olhos e vibrar os pulmões iniciou a função. A chuva torrencial abafou o ar, amoleceu as moscas e pôs os humanos pensativos. Com a trovoada tão perto muitos aproximaram-se de Deus; como se diz: ficaram mais tementes a Deus. Eu continuei de mata-moscas na mão, mais implacável do que antes, bravamente à espera do raio castigador, talvez.

Com a falha da electricidade a reconversão de alguns católicos da família consumou-se de facto. «Ah! Se houvesse mais tempestades na cidade, mais cortes de energia... Como as igrejas se encheriam novamente, como todos se reduziriam à sua insignificância e descobririam o verdadeiro valor da vida», pensei divertido e enfadado. Adiante.
Pôs-se mais um rachão na lareira, acenderam-se algumas velas e as histórias de outras trovoadas tiveram o seu lugar com o ambiente «al dente». Isto dá que pensar, Diário: sem televisão, sem rádio, sem coragem para deixar os beirados das casas, as estórias que pareciam pertencer irremediavelmente presas à memória individual de algumas poucas e antigas crianças que por aqui ainda andam, brotam imediatamente à velocidade de um interruptor accionado, provenientes dos mais improváveis contadores.

Contou-se a estória daquela vez em que um raio caiu na antena da televisão e em que a casa ia ardendo. Acabado este conto passou a apelar-se a Santa Bárbara a cada nova descarga com crescente clamor.
A um canto, o meu pai recontou-me a história do grande carvalho da sua meninice que eu ainda conheci. Deixo-te aqui, querido diário, uma estória de ternura, e de fascínio.


Era uma vez um menino pequenino que era um pequenino pastor. Bom, a verdade, verdadinha não era bem essa. O menino andava na escola como os outros meninos e por isso, antes de mais nada, era um menino, mas, nas férias, como muitos outros meninos da sua aldeia, este era pastor. De manhã levava o rebanho de ovelhas e cabras a passear pela serra. Aí o gado passava o dia a encher a barriga com os petiscos que só são bons para cabras e ovelhas. O menino cuidava delas encaminhando-as para os melhores pastos e protegendo-as de algum perigo sempre com a ajuda dos seus dois cães pastores: a Estrela e o Tejo. Durante o dia o menino arranjava tempo para brincar sozinho e com outros pequenos pastores que encontrava. Trepava às árvores, descia às fragas, dormia de barriga ao leu aquecido pelo sol, acendia fogueiras quando o dia vinha fresco. Era imensamente feliz excepto quando às vezes a fome apertava e o Verão se engasgava nalgum temporal. Uma vez, num desses temporais de Verão o menino assistiu a uma coisa bem de pasmar.
Johnny Cash on-line num cotonete perto de si.

sexta-feira, setembro 12, 2003

Muito poucas palavras musicadas...

...tenho trazido a este Adufe. Bem menos que ao seu irmão secreto.

Dificilmente trarei música mas pelo menos as palavras.
Já por cá passaram as Adufeiras de Monsanto, os Beach Boys, Laurie Anderson, hoje a Voz da América de Johnny Cash e mais alguns poucos.
(Obrigado Francisco Amaral, obrigado Luis Mateus, obrigado José Duarte, obrigado Aníbal Cabrita, obrigado Mário Dias, obrigado Ana Bravo, obrigado Nuno Galopim, obrigado Álvaro Costa, obrigado Sarah Adamopoulos, obrigado radialista desconhecido ou esquecido.)

Curioso, "The Voice" e "The Voice of America", duas memória inconfundíveis de duas Américas distintas.
Será que Sinatra e Cash alguma vez cantaram juntos? Dão-se alvíssaras.
Entre outros posts, o Adufe hoje tocou
A ...o mais infeliz dos post...
S Assim estamos inteiramente de acordo!
S A continuidade da polí­tica internacional Kenneth Waltz via A Praia
I DON'T TAKE YOUR GUNS TO TOWN
M Foi hoje inaugurado o novo Aeroporto Internacional de Leiria.
E ainda...
Foi hoje inaugurado o novo Aeroporto Internacional de Leiria.
(Act.)


Foi inaugurado há poucos instantes o novo Aeroporto Internacional de Leiria. O acontecimento foi acompanhado por centenas de espectadores que se dirigiram em massa para as imediações da Estação de Serviço de Leiria localizada no novo complexo aeroportuário.

Este inesperado acontecimento passou despercebido das entidades responsáveis pelo projecto da Ota, bem como, dos especialistas espanhóis que preparam o eventual aeroporto internacional de Badajoz. Admite-se que a edificação aeroportuária, agora inaugurada, esteve prestes a ser descoberta pela NASA no passado mês de Agosto, fruto da particular atenção dedicada à observação por satélite realizada na região, em virtude dos incêndios aí deflagrados. As nuvens de fumo terão, contudo, evitado a revelação pública do empreendimento.
O primeiro avião aterrou há poucos minutos tendo-se seguido efusivos festejos entre todos os presentes. Vamos em directo para o local da notícia.
DON'T TAKE YOUR GUNS TO TOWN

By John R. Cash
Recorded 8/13/58



A young cowboy named Billy Joe
Grew restless on the farm
A boy filled with wanderlust
Who really meant no harm
He changed his clothes and shined his boots
And combed his dark hair down
And his mother cried as he walked out;

Refrain:
"Don't take your guns to town, son
Leave your guns at home, Bill
Don't take your guns to town."

He sang a song as on he rode,
His guns hung at his hips
He rode into a cattle town,
A smile upon his lips
He stopped and walked into a bar and laid his money down
But his mother's words echoed again;

Refrain:
"Don't take your guns to town, son
Leave your guns at home, Bill
Don't take your guns to town."

He drank his first strong liquor then to calm his shaking hand
And tried to tell himself at last he had become a man
A dusty cowpoke at his side began to laugh him down
And he heard again his mother's words;

Refrain:
"Don't take your guns to town, son
Leave your guns at home, Bill
Don't take your guns to town."

Bill was raged and Billy Joe reached for his gun to draw
But the stranger drew his gun and fired before he even saw
As Billy Joe fell to the floor the crowd all gathered 'round
And wondered at his final words;

Refrain:
"Don't take your guns to town, son
Leave your guns at home, Bill
Don't take your guns to town."
Então e estas linhas directas e enxutas na Aba de Heisenberg?